12 de dezembro de 2025 | | | Prezadas leitoras, caros leitores — O sempre polêmico ministro Gilmar Mendes elevou ainda mais a tensão entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso com uma liminar, depois parcialmente suspensa, estabelecendo exigências duras para abertura de processos de impeachment contra ministros da corte. O objetivo declarado era barrar o projeto da extrema-direita de, em obtendo maioria no Senado nas eleições do ano que vem, afastar ministros que contrariam seus interesses. Houve quem comparasse a canetada de Gilmar a um episódio histórico da República: a deposição em 1955 pelo ministro da Guerra, marechal Henrique Teixeira Lott, do presidente interino Carlos Luz, que faria parte de uma trama para impedir a posse do recém-eleito JK. Um "ato antidemocrático para defender a democracia". Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, o historiador Murilo Cleto mergulha nas duas situações e nos lembra, primeiro, que as convicções democráticas do marechal não eram tão convictas assim. E, segundo, que atos antidemocráticos tendem a degradar a democracia que supostamente pretendem salvar. E mais. Caio Mello nos conta que um desenvolvedor usou o assistente de IA Lovable para criar em poucas horas um clone funcional da ferramenta de assinatura eletrônica DocuSign, mostrando como a barreira tecnológica que sustentou o setor de software por décadas pode estar em risco e criando desafios até para regulamentação. E Guilherme Werneck entrevista o filósofo americano Olúfémi O. Táíwò, autor do livro "Captura", em que discute como as políticas de identidades foram tomadas pelas elites. Assine o Meio premium e tenha a informação para além das manchetes. Os editores. | Moraes anula decisão da Câmara e manda cassar Zambelli Fotos: Luiz Silveira/STF e Lula Marques/ Agência Brasil A tentativa de reduzir as tensões entre o STF e o Congresso parece ter ido por água abaixo. No mesmo dia em que a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação de Carla Zambelli (PL-SP), o ministro Alexandre de Moraes anulou a decisão e decretou a perda imediata do mandato da parlamentar. Na ordem, Moraes afirmou que a Constituição determina que, em caso de condenação criminal transitada em julgado, cabe ao Judiciário declarar a perda do mandato, restando à Mesa da Câmara apenas formalizar o ato. Para o ministro, a votação da madrugada de quinta-feira — que teve 227 votos pela cassação, abaixo dos 257 necessários — foi "nula" e afrontou os incisos III e VI do artigo 55 da Constituição. Moraes apontou violação aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade e determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dê posse ao suplente no prazo máximo de 48 horas. A Primeira Turma do STF deve decidir ainda hoje, no plenário virtual, se mantém a ordem do ministro. (Metrópoles) A reação de Moraes já era esperada. Ministros do Supremo passaram o dia criticando a decisão da Câmara, classificada como "inaceitável". A avaliação interna é de que houve tentativa de desmoralizar o STF e descumprimento frontal de ordem judicial. Os ministros também estavam revoltados porque, como conta Malu Gaspar, Motta havia prometido em conversas particulares com eles que a deputada seria cassada. Zambelli foi condenada definitivamente por participar da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que, segundo jurisprudência do STF desde o caso Daniel Silveira, implica a cassação imediata do mandato. (Globo) Já o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), atacou o ministro Alexandre de Moraes. Em nota, Sóstenes afirmou que Moraes "abusa do próprio poder" e classificou o ministro como "ditador psicopata". Segundo o parlamentar, a decisão representa "usurpação institucional" e desrespeito à soberania do Legislativo. (CNN Brasil) Segundo especialistas, o imbróglio de Zambelli se deve a interpretações diferentes do artigo 55 da Constituição. Um inciso fala da cassação por perda dos direitos políticos e outro por condenação criminal, feitas, respectivamente, pela Mesa da Câmara e pelo Plenário. Para Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, Motta escolheu aplicar o dispositivo que lhe interessava politicamente. (Folha) O presidente da Câmara, Hugo Motta, está cada vez mais isolado. Depois de entrar em crises consecutivas com os partidos da base do governo, da oposição e do Centrão, agora Motta tem sido criticado pelo seu padrinho político e antecessor, Arthur Lira (PP-AL). A aliados, Lira afirmou que Motta "está perdido", que foi "humilhado por Glauber [Braga (PSOL-RJ)]" e que não recebeu solidariedade de parlamentares durante a sessão. O deputado fluminense, acusado de agredir um militante do MBL dentro do Plenário, chegou a ocupar a cadeira de Motta para obstruir a sessão que votaria sua cassação, foi retirado à força pela Polícia Legislativa e, no fim, sofreu apenas uma suspensão por seis meses. Segundo interlocutores, Lira criticou especialmente a decisão de Motta de pautar, sem acordo prévio, as representações contra Glauber e Carla Zambelli (PL-SP). (Globo) Acuado depois de um ano de intensas crises e polêmicas e sem conseguir mostrar a liderança necessária para comandar a Câmara, Motta tenta agora sair dos holofotes. A aliados ele disse estar "cansado de ser refém das polêmicas" que se acumulam tanto da esquerda quanto da direita e declarou intenção de "zerar a pauta" de temas ruidosos. (UOL) Publicamente, no entanto, Motta tentou demonstrar força e independência. O presidente da Câmara rebateu as críticas de Lira sobre sua condução na votação que livrou Glauber Braga da cassação. Em nota, Motta afirmou que a presidência da Casa "não se move por conveniências individuais, nem deve servir como ferramenta de revanchismo" (g1) Para ler com calma. No afã de reduzir o tempo de cadeia para Jair Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista com o PL da Dosimetria, a Câmara afrouxou regras de progressão de pena que ela mesma havia endurecido no PL Antifacção. Como conta Marcelo Godoy, a mudança pode beneficiar líderes de facções criminosas, estupradores e pedófilos. (Estadão) Na câmara  O ano nem acabou, e as eleições de 2026 já estão movimentando de forma acelerada o mundo político. Nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que pode deixar o governo em 2026 para colaborar diretamente com a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas descartou concorrer a algum cargo eletivo. "Eu não pretendo ser candidato em 2026, mas quero dar uma contribuição para pensar o programa de governo, para pensar como estruturar a campanha [de Lula]", disse o ministro, que afirmou já ter discutido o assunto com o presidente. (Globo) No Centrão, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro parece não emplacar. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que, se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não disputar a Presidência em 2026, o partido deve lançar Ratinho Jr. (PR) ou Eduardo Leite (RS) ao Planalto. Kassab afirmou que Tarcísio continua sendo "o melhor nome" para a sucessão presidencial e que apoiará qualquer decisão do governador. (Poder360) Mas Flávio Bolsonaro não dá sinais de desistência. Nesta quinta-feira ele almoçou com empresários em São Paulo na tentativa de tirá-los da órbita de Tarcísio. A conversa, segundo participantes, se concentrou em assuntos econômicos, com o senador prometendo retomar as políticas de Paulo Guedes, ministro da Economia no governo de seu pai. (Estadão) Depois de um afastamento após o Brasil não reconhecer o resultado das eleições venezuelanas em 2024, Lula voltou a se aproximar de Nicolás Maduro. Os dois conversaram por telefone para tratar da crescente pressão militar dos Estados Unidos sobre a Venezuela, no primeiro diálogo desde a eleição. Assessores de Lula afirmam que a retomada do diálogo pode ter papel importante caso o Brasil seja solicitado a intermediar algum entendimento entre o regime chavista e o governo de Donald Trump. (Globo) A Casa Branca informou que o petroleiro de grande porte apreendido por forças dos EUA próximo à costa da Venezuela será conduzido a um porto americano e terá sua carga de petróleo confiscada. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que o navio foi abordado por agentes americanos na quarta-feira e que o governo pretende reter o petróleo, seguindo o procedimento legal exigido para esse tipo de apreensão. De acordo com analistas do setor, a embarcação havia carregado 1,1 milhão de barris de petróleo de forma clandestina em novembro e seguia em direção a Cuba. (CNBC) Se você chegou até aqui, já sabe que informação boa muda a forma como você pensa. Mas dá para ir além. Receba as newsletters especiais do Meio e acesse o streaming com séries e documentários originais assinando o Meio Premium. É conteúdo aprofundado para quem deseja formar opinião com segurança. Apenas 15 reais por mês para mudar a sua maneira de entender o noticiário. Vá além, seja Premium. Viver Após mais de 2 milhões de residências ficarem sem luz desde quarta-feira, em São Paulo, por conta dos fortes ventos que atingiram o estado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu, nesta quinta-feira, a intervenção do governo federal na Enel. Afirmando que o desempenho da concessionária é "absolutamente insuficiente", ele alega que a competência da distribuição de energia é federal, salientando a responsabilidade do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Tarcísio evitou críticas ao modelo privado de gestão e criticou especificamente a Enel. Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou ter iniciado, junto à Aneel, uma força-tarefa para acelerar o restabelecimento de energia. (Estadão) Pela primeira vez, uma terapia celular CAR-T foi desenvolvida, produzida e aplicada integralmente no Brasil. A tecnologia da área oncológica, até então restrita a países ricos e à indústria farmacêutica, foi utilizada em um novo estudo conduzido pelo Einstein Hospital Israelita, financiado pelo Ministério da Saúde e aprovado pela Anvisa, como o primeiro ensaio clínico fase I produzido dentro de um hospital brasileiro. A pesquisa apresentou 81% de resposta e 72% de remissão completa em pacientes com linfomas, leucemias e outras neoplasias de células B refratárias a terapias anteriores. A CAR-T é uma imunoterapia realizada com células T do próprio paciente, que são modificadas geneticamente para reconhecer o tumor e destruir as células doentes no organismo. (g1) Para ler com calma. O rápido crescimento de vagas em faculdades de medicina tem gerado uma desproporção entre graduação e espaço em programas de residência, essencial para formar especialistas. A escassez tem levado médicos recém-formados a buscarem especializações lato sensu, que não dependem de autorização do MEC e não garantem Registro de Qualificação de Especialista, indispensável para o exercício da profissão. Dados do MEC mostram que as vagas em graduações aumentaram 25% entre 2018 e 2024, enquanto oportunidades em residência médica subiram apenas 9%. A maior parte das vagas de residência se concentram nas capitais, abrangendo 62% dos estudantes, com Sul e Sudeste concentrando 70% dos programas no país. (Folha) Cultura  Comemorando seus 40 anos, o Paço Imperial recebe sua última leva de exposições de 2025, com cinco mostras de artistas contemporâneos, entre eles, Gilberto Salvador com cerca de 40 obras, e a reunião de cerca de 120 obras do gravurista Carlos Martins. Ainda no Rio, a programação do Brava Arena Jockey está ótima, com destaque para os Paralamas do Sucesso no sábado. Em São Paulo, rola a segunda noite do Coala Apresenta: Noites no Memorial, com o encontro entre Marcos Valle e Ana Frango Elétrico, e mais uma edição do 1MPROF3ST no Lugar Sem Nome. Para quem não tem medo de experimentar, a Mostra Nacional de Teatro Universitário chega ao Sesc Consolação com três peças. Leia todas as sugestões no site do Meio. Longa de Kleber Mendonça Filho e representante do Brasil no Oscar, O Agente Secreto foi eleito o melhor filme do ano pela revista The Hollywood Reporter, nesta quinta-feira. A publicação destaca a atuação de Wagner Moura, que "está em sua melhor forma" no papel de um especialista de tecnologia que retorna à sua cidade natal, Recife, em busca de paz. Citando o humor e as reflexões trazidas pela obra, a revista afirma que o filme brasileiro "é uma obra-prima sui generis". O longa brasileiro aparece à frente de outros favoritos ao Oscar 2026, como Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, e Marty Supreme, de Josh Safdie. (The Hollywood Reporter) Meio em vídeo. Qual seu artista mais ouvido em 2025? E a sua idade musical? No programa Dou-lhe Duas, Flávia Tavares e Pietra Príncipe revelam as músicas que ganharam espaço em seu Spotify Wrapped e como elas contam a história do ano que está acabando. Além disso, lembram detalhes das trilhas sonoras de momentos bons e ruins de suas vidas. (YouTube) Cotidiano Digital A Revista Time elegeu os "Arquitetos da IA" como a personalidade do ano de 2025, destacando que este foi o momento em que o potencial da inteligência artificial se tornou impossível de ignorar e marcou uma virada definitiva para a sociedade. O termo abrange os principais nomes por trás dos avanços em IA, entre eles Jensen Huang, da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI, cotados para o título. A revista afirmou que esses líderes "entregaram a era das máquinas pensantes, ao mesmo tempo em que fascinam e preocupam a humanidade". A homenagem superou candidatos como o papa Leão XIV, o presidente Donald Trump, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani. Em 2024, a Time havia escolhido Trump como a personalidade do ano e em 2023, Taylor Swift. (Time) Em um acordo de três anos, a Disney vai investir US$ 1 bilhão na OpenAI e liberar mais de 200 personagens do estúdio, da Marvel, Pixar e Star Wars para o Sora, que poderá gerar vídeos curtos acionados por usuários e exibirá parte desse conteúdo no próprio serviço de streaming da empresa, o Disney+. Pela negociação, a companhia também passará a usar as APIs da OpenAI para criar produtos e ferramentas internas, além de implementar o ChatGPT para seus funcionários, tornando-se um dos maiores clientes corporativos da desenvolvedora. (Reuters) Meio em vídeo. No Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai debatem sobre a proposta feita pelo governo australiano de restringir o acesso de adolescentes às redes sociais. Saiba mais sobre esse assunto. (YouTube) Último dia para responder à Pesquisa Meio 2025. Suas respostas são ouro para a gente: são elas que nos ajudam a orientar as escolhas editoriais deste Meio, aprimorar as newsletters e toda a nossa produção em texto, áudio e vídeo. É rápido e faz a diferença real no que você recebe todos os dias. Participe e nos ajude com a sua voz. |
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