Dino suspende pagamento de penduricalhos a servidores públicos

 
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6 de fevereiro de 2026
 

Prezadas leitoras, caros leitores —

Um afago político em forma de jantar, oferecido pelo presidente Lula e embalado ao som de Geraldo Vandré, com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e de lideranças da Casa. Uma ofensiva no Congresso Nacional para usar o escândalo do Master, disputado por diferentes espectros políticos, para desgastar adversários. Pautas com alto valor eleitoral, como o fim da escala 6x1 e a dosimetria, no meio do baile. Governo, Centrão e oposição já estão no ritmo da festa da democracia de outubro.

Nesta Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, a repórter Giullia Chechia relata como a eleição já tem antecipado alianças e reorganizado forças nos corredores de Brasília.

Mas não é tudo. Yan Boechat nos conta como morreu na Síria o único projeto do Oriente Médio que tentava criar uma sociedade genuinamente democrática e igualitária entre homens e mulheres. E Guilherme Werneck visitou as gravações do Tiny Desk Brasil e conversou com os responsáveis por trazer para cá o programa clássico criado pela NPR nos Estados Unidos.

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Os editores.

Dino suspende pagamento de penduricalhos a servidores públicos

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Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira que os Três Poderes revisem, em até 60 dias, todos os chamados "penduricalhos" pagos a servidores públicos e suspendam imediatamente aqueles que não tenham previsão legal. Na liminar, Dino afirma que houve uma "multiplicação anômala" de verbas classificadas como indenizatórias — mas que, na prática, funcionam como aumento salarial — permitindo que servidores recebam acima do teto constitucional de R$ 46,3 mil mensais. A decisão ocorre em meio à repercussão do recente pacote aprovado pelo Legislativo que amplia carreiras, cria cargos e autoriza reajustes e gratificações para servidores da Câmara e do Senado. (Globo)

Entre os principais benefícios citados por Flávio Dino estão licença compensatória, gratificações por acúmulo de funções, auxílios de locomoção, auxílio-educação e auxílio-saúde e até benefícios informais apelidados de "auxílio-peru" e "auxílio-panetone". Para Dino, muitos desses pagamentos têm natureza remuneratória disfarçada e alimentam supersalários acima do limite constitucional. (CNN Brasil)

A liminar monocrática de Dino vai ser analisada pelo plenário do STF no próximo dia 25, após os feriados do Carnaval. (UOL)

Octávio Guedes: "A decisão de Dino funciona como uma resposta direta à gestão do presidente do STF, Edson Fachin. Dino sinaliza que o Judiciário não pode exigir que os outros cumpram a lei enquanto cria atalhos para botar dinheiro no próprio bolso". (g1)

Câmara

Marcelo Martinez

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente pela primeira vez a proposta do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de criar um Conselho de Paz para Gaza sem participação palestina. Em longa entrevista à repórter Daniela Lima, Lula confirmou a viagem a Washington na primeira semana de março para uma conversa direta com Trump. Segundo ele, não haverá temas proibidos, com exceção da soberania brasileira. Um dos temas será a redemocratização da Venezuela. "Há possibilidade de a gente fortalecer a democracia na Venezuela e o povo da Venezuela. Quem vai resolver o problema da Venezuela são os venezuelanos", afirmou. (UOL)

No cenário interno, o presidente enfrentou assuntos polêmicos, como o suposto envolvimento de seu filho mais velho, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, em fraudes no INSS. "Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: 'Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda'", afirmou. Lula reafirmou que o escândalo dos descontos em aposentadorias e pensões veio a público porque seu governo investigou o que seria "uma quadrilha montada no governo Bolsonaro". (UOL)

Outro tema espinhoso foi o encontro no Palácio do Planalto com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em dezembro de 2024. O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, sob suspeita de fraudes. Lula minimizou a reunião, pedida pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, afirmando que recebe habitualmente executivos de outros bancos. O então diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, que assumiu em 2025 a presidência do órgão, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, também estavam presentes. Vorcaro reclamou que estaria sofrendo perseguição política e ouviu do presidente que não havia posição pró ou contra o Master no governo e que eventuais investigações do BC seriam "estritamente técnicas". (UOL)

O encontro de Lula e Vorcaro aconteceu em 4 de dezembro de 2024, mas as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra o Master só tiveram início em março de 2025, segundo documentos do próprio BC. (Folha)

Sobre as eleições de outubro, Lula sinalizou que pode não repetir a dobradinha com o vice Geraldo Alckmin (PSB) e sim usá-lo para fortalecer seu palanque em São Paulo. "Nós temos condições de ganhar em São Paulo. Eu ainda não conversei com Haddad (Fernando, ministro da Fazenda), não conversei com Alckmin, mas eles sabem que eles têm um papel a cumprir em São Paulo", disse. O presidente também não desistiu de ter o senador Rodrigo Pacheco (PSD) como candidato ao governo de Minas, onde ainda não tem palanque. (UOL)

Confira o que foi correto, exagerado ou falso nas afirmações de Lula. (UOL)

Registros obtidos pelo Estadão mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, esteve 17 vezes no Banco Central em 2025, somando mais de 34 horas em reuniões presenciais no ano em que a instituição teve as atividades encerradas. As visitas ocorreram em momentos decisivos, que vão das tentativas de recuperar liquidez à negociação frustrada com o BRB e às tratativas de liquidação, incluindo encontros repetidos com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. (Estadão)

O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apresentou atestado médico nesta quinta-feira ao presidente da Corte, Herman Benjamin, e se afastou temporariamente das atividades. O afastamento ocorreu um dia após o STJ instaurar uma sindicância para apurar a acusação de assédio sexual envolvendo uma jovem de 18 anos, em um imóvel de veraneio do magistrado em Santa Catarina. Na véspera, Buzzi chegou a participar do início da sessão, afirmou ter sido surpreendido pelas denúncias e negou qualquer irregularidade. Depois de sua saída do plenário, os ministros deliberaram pela abertura do procedimento administrativo. Caso as acusações sejam confirmadas, o ministro pode sofrer aposentadoria compulsória. Paralelamente, o episódio também é analisado pelo Conselho Nacional de Justiça, onde já tramita procedimento disciplinar. (Estadão)

O fim do último tratado nuclear entre EUA e Rússia reacendeu temores de uma nova corrida armamentista, deixando as duas maiores potências atômicas sem limites formais para seus arsenais pela primeira vez em décadas. O presidente Donald Trump indicou que os EUA não seguirão mais os tetos do acordo e defendeu negociar um novo tratado "mais moderno", argumentando que o pacto atual é falho e não inclui a China. Críticos do acordo dizem que ele limita Washington enquanto Pequim amplia seu arsenal. O tratado, em vigor desde 2011 e prorrogado até fevereiro de 2026, impunha limites a ogivas e vetores estratégicos. Com sua expiração, os países até poderiam manter voluntariamente esses tetos. (CNN)

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Viver

Um relatório da Aon, corretora e consultora de riscos sediada no Reino Unido, revela que os desastres climáticos que atingiram o Brasil em 2025 causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$ 28,3 bilhões. O valor representa uma queda em relação aos US$ 12 bilhões do ano anterior, quando o Rio Grande do Sul sofreu com enchentes que destruíram parte do estado, cujos estragos chegaram a US$ 5 bilhões. As secas foram resposnáveis por 88% das perdas em 2025, ou US$ 4,8 bilhões, afetando agronegócio, geração de energia e abastecimento de água. Já as tempestades geraram prejuízos de US$ 632 milhões, ou 11% do total. (Folha)

Para ler com calma. Inspirado nos safáris africanos, o ex-piloto de corridas Mario Haberfeld deu início às atividades de ecoturismo da ONG Onçafari em 2011, na pousada Caiman, no Pantanal. No caso brasileiro, os turistas poderiam passear com veículos em meio às onças-pintadas no refúgio ecológico de Miranda, no Mato Grosso do Sul. A organização expandiu as atividades para áreas como ciência, educação, reintrodução de espécies na natureza e combate a incêndios, além de estar presente também na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Haberfeld foi o único brasileiro premiado como empreendedor social na edição deste ano do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. (Um Só Planeta)

As polícias estaduais ignoraram ou rejeitaram 71% dos pedidos de informação sobre controle de armas de fogo. É o que aponta um relatório divulgado pelos institutos Igarapé e Sou da Paz, com base em solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação (LAI) para as polícias Civil, Científica e Militar entre 2021 e 2023. De acordo com o estudo, a falta de transparência dificulta a análise das políticas públicas locais, principalmente em temas como controle e entrada de armas e investigação e rastreamento da origem de armamento apreendido. (g1)

Meio em vídeo. No Dou-lhe Duas, Flávia Tavares e Pietra Príncipe conversam sobre como se sentem trabalhando na internet e com a exposição nas redes sociais. Também abrem o jogo sobre como lidam com comentários negativos e revelam como o mundo está cada vez mais careta. (YouTube)

Cultura


O projeto Noite de Verão, que ocupa o Morro da Urca, termina neste sábado com show dos Paralamas do Sucesso. Mas o público carioca também pode fazer uma visita à galeria Nara Roesler, que abre com a exposição Rasura. São Paulo está repleta de estreias nas artes visuais, com destaque para Pós Poemas, do mestre Augusto de Campos, na Luciana Brito Galeria. Para quem quer conhecer o novo teatro brasileiro, vai até domingo no Itaú Cultural a oitava edição do "a_ponte: cena do teatro universitário". Leia todas as sugestões no site do Meio.

Uma nova versão da franquia O Exorcista vai ganhar um elenco de peso, com Laurence Fishburne se juntando a Scarlett Johansson, Jacobi Jupe (Hamnet), Diane Lane e Chiwetel Ejiofor no projeto. Apesar de detalhes do filme ainda estarem sob sigilo, a revista Variety revela que o filme contará uma história totalmente nova e não será uma sequência de O Exorcista: O Devoto, de 2023. O longa escrito e dirigido por Mike Flanagan será filmado na cidade de Nova York e tem previsão de lançamento nos cinemas em março de 2027 pela Universal Pictures. (Variety)

A Mubi divulgou nesta quinta-feira a primeira cena do novo filme do cineasta cearense Karim Aïnouz, Rosebush Pruning, que estreia mundialmente na competição do Festival de Cinema de Berlim neste mês. Ambientado em uma opulenta mansão na Catalunha, Jamie Bell, Calum Turner, Riley Keough e Lukas Gage interpretam irmãos que se entregam ao isolamento e à fortuna herdada, ignorando as exigências do pai cego, enquanto buscam amor e reconhecimento. O vídeo dá uma amostra da sátira sobre o absurdo da família patriarcal tradicional. (Deadline)

Cotidiano Digital

A OpenAI lançou uma nova plataforma pensada para organizar, controlar e escalar agentes de inteligência artificial dentro das empresas, para criar ferramentas capazes de assumir tarefas específicas do trabalho cotidiano. A iniciativa reforça a estratégia da companhia de crescer no mercado corporativo, hoje um território em que a rival Anthropic leva vantagem, e ganha peso num momento em que as duas disputam espaço, clientes e narrativa às vésperas de uma abertura de capital. Nesse sentido, a concorrência já chegou ao marketing, com anúncios rivais no Super Bowl com direito a provocações entre executivos, enquanto a OpenAI tenta se diferenciar ao prometer uma solução que se conecta aos sistemas já usados pelas empresas e permite integrar agentes próprios ou de terceiros. (Reuters)

O Spotify anunciou a expansão do serviço de audiolivros com a venda de livros físicos pelo aplicativo nos Estados Unidos e no Reino Unido, em parceria com a Bookshop.org. A plataforma também lançou novos recursos para integrar leitura e áudio, como o Page Match, que permite escanear uma página do livro físico ou digital e seguir a narrativa exatamente do mesmo ponto no audiolivro. Com isso, a iniciativa amplia a atuação da empresa no mercado editorial, que reforçou também o apoio a livrarias independentes e aposta em um segmento que já alcança mais da metade dos assinantes premium. (TechCrunch)

Meio em vídeo. No Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre o Moltbook, a primeira rede social que apenas inteligências artificiais têm acesso. No papo, ainda comentam sobre como os robôs entram na rede social e os testes que precisam realizar para provar ser uma IA, a interação entre diferentes modelos de linguagem dentro da plataforma, a autonomia das IAs para resolver pendências sem precisar de ordem prévia e os perigos que isso pode proporcionar com vazamento de dados. (YouTube)

Fez o quiz do Painel Ideológico do Meio e quer entender melhor o resultado? Vale a leitura da Edição de Sábado que aprofunda o mapa das ideologias brasileiras e mostra como elas se organizam hoje. Nela, Pedro Doria analisa, a partir do trabalho de Christian Lynch, como essas crenças ajudam a explicar escolhas e disputas políticas no país e por que isso é decisivo para a eleição de 2026.

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