27 de fevereiro de 2026 | | | Prezadas leitoras, caros leitores — Alguns dos arquitetos da inteligência artificial no mundo, incluindo CEOs, investidores e programadores, vêm publicando textos alarmados (e alarmistas) sobre como perderam o controle do ritmo da evolução dessa tecnologia. Com isso, eles chacoalharam Wall Street e o Vale do Silício. O sobressalto não é unânime. Mas em uma percepção caminha-se para um consenso: o mundo vai mudar mais rápido do que a maioria imagina. Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, Pedro Burgos, jornalista, programador, consultor em IA e professor do Insper, avalia se há razões para o assombro e propõe um guia para se navegar por esses tempos incertos. Mas o mergulho na inteligência artificial não para por aí. Guilherme Werneck entrevista Nivaldo Godoy Jr, que está lançando "São Paulo em Códigos", um livro que mescla crônica literária e experimentações com IAs generativas, feito junto com Mei Hua Soares. E, para voltarmos aos seres humanos, Yasmim Restum mostra como a proliferação das canetas emagrecedoras fez refluir a onda "body positive" e trouxe de volta a obsessão pela magreza. Ciência, cultura, comportamento, sempre com um olhar diferenciado. Isso é o que você recebe no Meio Premium. Assine agora. Os editores. | Mendonça e CPI do INSS quebram sigilos de Lulinha Foto: Reprodução/Redes Sociais O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz, conhecido pelo apelido de Lulinha, voltou à berlinda. Acusado por diversas vezes de usar o nome do pai em operações pouco ortodoxas, Lulinha teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela CPI do INSS. A sessão que aprovou a quebra dos sigilos de outras 86 pessoas, incluindo a do ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi tumultuada. Após o requerimento ser aprovado, parlamentares trocaram socos e ao menos dois deles, Rogério Correia (PT-MG) e Luiz Lima (Novo-RJ), foram retirados da sessão pela Polícia Parlamentar. Lulinha já havia tido seus sigilos quebrados pelo ministro do STF André Mendonça em janeiro, bem antes do pedido da CPI. O pedido foi feito ao Supremo pela Polícia Federal, que suspeita do envolvimento de Lulinha no esquema de desvio dos benefícios pagos a aposentados. (Globo) A briga entre parlamentares governistas e da oposição foi registrada em vídeo. Veja aqui. (UOL) A Polícia Federal havia pedido a quebra do sigilo de Lulinha ao STF por conta das referências ao filho do presidente Lula em mensagens de WhatsApp, passagens aéreas e no depoimento de uma testemunha. A suspeita é que Lulinha teria atuado como "sócio oculto" do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A defesa de Lulinha negou qualquer vínculo com o instituto e classificou as citações como "ilações". (Estadão) E o governo reagiu. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou como "golpe" a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha na CPI do INSS. Segundo Gleisi, a deliberação foi conduzida de forma irregular pelo presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). "Foi uma votação simbólica, sem contagem individual de votos. Consideramos que é nula", afirmou. Governistas articulam junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a tentativa de anular o ato. Aliados do Planalto alegam que detinham maioria entre os titulares presentes, mas não puderam solicitar nova verificação nominal porque o instrumento já havia sido usado anteriormente pela oposição na mesma sessão. (Folha) Em meio à confusão no Congresso, o ministro André Mendonça autorizou que José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli não compareçam à CPI do Crime Organizado no Senado. Os dois são irmãos do ministro Dias Toffoli. A decisão atende a pedido da defesa, que argumentou que ambos foram convocados na condição de investigados e, portanto, não são obrigados a prestar depoimento. Mendonça aceitou o pedido afirmando que, como são investigados, os irmãos de Toffoli têm assegurado o direito constitucional de não produzir prova contra si mesmos. (g1) Vinícius Torres Freire: "O acordão para 'abafar o caso' está com desarranjo. Balançam os acertos tácitos ou explícitos de proteger amigos e comparsas nos casos do Master, da roubança do INSS e até dos esquecidos fundos secretos da Reag". (Folha) Depois de muito negar, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aceitou, mais uma vez, os apelos do presidente Lula e será o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2026. Lula aproveitou compromissos oficiais na Ásia para convencer Haddad, que vinha demonstrando resistência à candidatura diante do favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ministro avaliava o cenário como adverso e evitava assumir novo embate eleitoral no estado. Segundo interlocutores, Lula argumentou que a reorganização do palanque paulista é estratégica para o projeto nacional do PT e insistiu na necessidade de um nome competitivo para enfrentar Tarcísio. Haddad cedeu. (UOL) O presidente do STF, Edson Fachin, adiou para 25 de março a conclusão do julgamento das ações que discutem o pagamento dos chamados "penduricalhos" — verbas indenizatórias que permitem a algumas categorias receber acima do teto constitucional. O plenário analisa decisões individuais dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes em processos distintos. Dino determinou a revisão e suspensão de parcelas acima do teto que não estejam previstas em lei, além de proibir novos atos ou normas que autorizem pagamentos considerados ilegais. Mendes, por sua vez, estabeleceu que Judiciário e Ministério Público só podem pagar verbas indenizatórias previstas em lei federal. A análise teve início na quarta-feira, com sustentações orais. A expectativa era de que os votos começassem nesta quinta-feira, mas a conclusão foi remarcada. (g1) Servidores  Os Estados Unidos e o Irã não chegaram a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e voltarão à mesa de negociações na próxima semana. Nesta quinta-feira representantes dos dois países se encontraram para seis horas de conversas em Genebra. Segundo o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que atua como mediador, houve avanços suficientes para justificar a retomada dos diálogos. A próxima etapa ocorrerá em Viena e contará com a participação de equipes técnicas — especialistas em temas nucleares, sanções e questões financeiras — sinalizando aprofundamento das tratativas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que os grupos técnicos se reunirão na segunda-feira na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A equipe principal de negociadores deve voltar à mesa cerca de uma semana depois. (New York Times) O Paquistão bombardeou nas primeiras horas desta sexta-feira Cabul, capital do vizinho Afeganistão, e outras duas províncias do país. O ataque acontece após uma série de escaramuças na fronteira e marca o fracasso de um acordo mediado pelo Catar. (Guardian) Sabe o que muda quando você se torna assinante Premium do Meio? Você começa a receber análises exclusivas do cenário politico, duas newsletters especiais por semana, a Pesquisa Meio/Ideia em primeira mão e acesso ao nosso streaming com séries e documentários originais. Se você quer uma curadoria com diferentes visões sobre os últimos acontecimentos, seu lugar é o Meio. Experimente uma nova forma de se informar. Cotidiano Digital A Netflix anunciou nesta quinta-feira que desistiu de aumentar a oferta para comprar a Warner Bros. Discovery, em uma reviravolta que deixa o caminho livre para a Paramount, do empresário David Ellison, assumir o controle do estúdio. A gigante do streaming afirmou que o negócio "não é mais financeiramente atraente" após a oferta da Paramount subir para US$ 111 bilhões. O acordo original da Netflix, fechado em US$ 83 bilhões, poderia consolidar a companhia como principal potência do entretenimento tradicional, mas gerou questionamentos de acionistas e isso fez a empresa perder mais de US$ 60 bilhões em valor de mercado. Mas, com a retirada, as ações da Netflix subiram quase 10% no after hours. (New York Times) A Anthropic rejeitou na noite desta quinta-feira o ultimato do Pentágono para que liberasse o acesso total de seu chatbot Claude a fim de ser usado na vigilância interna nos Estados Unidos e no controle de armas autônomas. Embora negasse a intenção desse tipo de uso, o Pentágono não queria a restrição explícita nos contratos com a empresa, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth afirmou que as Forças Armadas deveriam ter liberdade de usar a tecnologia em "todo o leque de ações de guerra". Com a recusa, a Anthropic pode perder seus contratos com o Departamento de Defesa dos EUA. (Washington Post) O Senado não votou o projeto do Redata e deixou caducar a medida provisória que criava incentivos fiscais para atrair data centers ao Brasil, frustrando o governo e o setor, que aguardavam a aprovação para anunciar investimentos estimados em até R$ 60 bilhões nos próximos anos. O programa previa renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026, já contemplada no Orçamento, e exigia contrapartidas como uso de energia renovável e oferta mínima de 10% da capacidade ao mercado interno. (Folha) E em entrevista, o presidente da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), Affonso Nina, afirma que esse atraso regulatório pode empurrar projetos para outros países em um momento em que o Brasil já importa cada vez mais serviços de processamento de dados, com déficit que saltou de US$ 3 bilhões em 2021 para quase US$ 8 bilhões no ano passado. Segundo ele, construir um data center aqui custa até 30% mais do que em concorrentes por causa da carga tributária. (UOL) Viver O Brasil avançou no percentual de estudantes em tempo integral em todas as etapas da educação básica e no ensino profissionalizante, mas ainda patina no número de crianças na creche e em matrículas na educação de jovens e adultos (EJA), que atingiu o menor patamar desde 1996. É o que mostra o Censo Escolar 2025, divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (MEC). No ano passado, o país registrou 923 mil novas vagas em tempo integral na rede pública, mas em um ano, o número de matrículas na educação básica reduziu mais de 1 milhão, de 47,08 milhões para 46,01 milhões. (Globo) Com dois novos depoimentos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sobe para quatro o número de denúncias por abuso sexual contra o desembargador Magid Nauef Láuar, relator do caso que condenou um homem de 35 anos por estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. Láuar chegou a votar pela absolvição do acusado, alegando "vínculo afetivo consensual", mas recuou e manteve a condenação da primeira instância. O primeiro a denunciar o magistrado foi seu próprio primo Saulo Láuar, de 42 anos, que diz ter sofrido uma tentativa de abuso quando tinha 14 anos. (g1) Após uma reunião secreta do Alto Comando, Cláudia Lima Gusmão se tornou a primeira mulher oficial-general da história do Exército brasileiro. Natural do Recife, a médica de 57 anos ingressou na carreira militar em 1996, desempenhando, entre suas principais funções, a direção do Hospital de Guarnição de Natal e do Hospital Militar de Área de Campo Grande. A promoção ainda precisa ser confirmada por decreto presidencial. Com uma maior abertura às mulheres, incluindo em postos de comando, o efetivo militar é composto por 10% delas, ou 37 mil integrantes. (UOL) Meio em vídeo. A história do macaquinho Punch, rejeitado pela mãe, correu o mundo. Mas o que ela revela sobre nossas expectativas em relação à maternidade? No Dou-lhe Duas, Flávia Tavares e Pietra Príncipe discutem instinto materno, expectativas impostas às mulheres e o direito de escolher caminhos diferentes. (YouTube) Cultura  Inspirada nos versos de O Mínimo do Máximo, poema de Paulo Leminski, a exposição coletiva Espaçotempo, abre neste domingo no Museu Histórico da Cidade, no Rio, com obras de 32 artistas e curadoria de Isabel Sanson Portella. Para quem curte HQ, acontece hoje, a partir das 17h na Banca C.I.N.Z.A., a primeira Z-Fest, com lançamentos de livros dos cartunistas cariocas Allan Sieber, Ricardo Coimbra e Eduardo Arruda. Em São Paulo, tem a exposição Escuta Aqui!, no Paço das Artes, com artistas pensando suas poéticas para além do visual, e a Ocupação Maranhense: 20 Anos da Pequena Companhia de Teatro, no CCBB. Leia todas as sugestões no site do Meio. O Festival de Cannes anunciou, nesta quinta-feira, o diretor, roteirista e produtor Park Chan-wook como substituto de Juliette Binoche na presidência do júri de sua 79ª edição. Conhecido por seu trabalho barroco e subversivo, Park tem uma longa história em Cannes, onde estreou na direção de longas com Oldboy, vencedor do Grande Prêmio em 2004. Ele retornou outras vezes ao festival, vencendo o Prêmio do Júri em 2009 com Sede de Sangue e melhor direção em 2022 por Decisão de Partir. Ele será o primeiro sul-coreano nesta função, o segundo asiático a presidir o júri, 20 anos depois de Wong Kar-Wai. (Variety) No Festival de Berlim, a diretora Tricia Tuttle terá de aguardar os próximos dias para saber se continuará no cargo, após uma reunião extraordinária, convocada pelo ministro da Cultura da Alemanha, Wolfram Weimer, e o conselho administrativo do festival, terminar sem uma decisão. Acredita-se que o encontro tenha ocorrido em resposta às críticas feitas a declarações políticas no evento deste ano. Mais cedo, uma petição com mais de 1.400 assinaturas de profissionais da indústria cinematográfica foi divulgada em apoio à Tuttle. Entre os signatários, estão o diretor vencedor do Oscar Sean Baker, a atriz Tilda Swinton e o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho. (Variety)  Atenção, Meiers: último dia para garantir 30% de desconto na pré-venda do curso Golpes, deepfakes e IA: como se proteger na era da desinformação. As aulas de Sérgio Lüdtke vão te preparar para não cair em jogos de manipulação, deepfakes e conteúdos falsos produzidos por IA. Em ano de eleições, esse saber é ainda mais importante para manter sua integridade de voto. Garanta seu lugar. |
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